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28 de outubro de 2019

Projeto ‘Enem na Rua’ leva estudantes paraibanos a conhecerem fatos, detalhes e curiosidades da História de João Pessoa

                Terceira cidade mais antiga do país, ponto mais oriental das Américas, com 434 anos, a capital paraibana tem um acervo histórico, cultural, religioso e geopolítico riquíssimo, mas, infelizmente, pouco conhecido ou até desconhecido de boa parte da população local. Neste domingo (27), um grupo de estudantes paraibanos das 3ª séries dos colégios GEO Sul e Tambaú vivenciou uma experiência única e rica numa verdadeira incursão em um Brasil, com ênfase, em João Pessoa desde a colonização, passando pelo período escravocrata, do Império Português, a Velha república, a Era Vargas, os governos militares, a redemocratização, até os dias atuais, com o neoliberalismo. A atividade faz parte do projeto ‘Enem na Rua’ que está em sua 4ª edição e cujo objetivo é estimular os estudantes, que estão prestes a “entrar” na universidade, a trabalhar as disciplinas, especialmente, Geografia e História a partir de um resgate sócio-político-histórico-cultural do Brasil, com ênfase, em João Pessoa.

                O aulão in loco foi realizado em pontos turísticos do Centro Histórico e  começou na Casa da Pólvora, onde os estudantes foram recepcionados com um café da manhã e receberam informações diversas de professores de História, Geografia, Português e Biologia, além de uma mensagem do professor Roberto Oliveira, diretor do Geo Sul. “Estamos na reta final para o Enem e vocês estão aqui para ampliar conhecimentos e mais que isso, perceber que estão preparados para enfrentar o exame e saírem vitoriosos. Confiamos em vocês e estamos na torcida”, disse Roberto. O professor Carlos Campos reforçou o objetivo do Enem na Rua. “A ideia é incentivar o aluno a despertar para a história, a arte, a arquitetura e a geografia de João Pessoa de uma forma descontraída e prazerosa”, destacou ele.

                Antes de visitar a Casa da Pólvora, os alunos aprenderam um pouco mais sobre a colonização da capital paraibana e o porquê dela ter sido feita pelo Rio e não pelo litoral. Isso aconteceu, porque as barreiras de coral impediam a chegada dos navios a costa paraibana (tanto que há muitas embarcações naufragadas ao longo da costa) e, na época, os navegadores encontraram a entrada de onde hoje é o Porto de Cabedelo, seguindo pelo Rio Paraíba e depois pelo seu afluente, o Sanhauá como rota ideal. Por isso João Pessoa começou a se expandir do Centro para o Litoral, tendo o Rio Paraíba como sua principal rota de entrada e saída à época. “O marco zero das cidades normalmente ficavam no litoral, o de João Pessoa era onde fica o Centro Histórico mais precisamente na casa da Pólvora”, explicou o professor Fernando, de História. Ele disse ainda, que haviam três fortes – o a Fortaleza de Santa Catarina, o Porto Velho e o da Ilha da Restinga, este último não existe mais.

                O também professor de História, Sérgio, complementou as informações, abordando os fatores de migração das pessoas do Centro para as áreas litorâneas da cidade, explicando o porquê da decadência e abandono da área central e desenvolvimento das áreas localizadas próximos ao litoral. “Na maior parte das cidades nordestinas o desenvolvimento das cidades se deu da praia para o centro em João Pessoa esse movimento migratório se deu ao contrário”, reiterou Sérgio, que pincelou aspectos do processo de colonização do Brasil, a aliança dos brancos com os índios, a influência espanhola, portuguesa e holandesa no Brasil Colônia entre outros assuntos. O professor de Geografia, Rodrigo Leite, falou da migração da população reforçando que ‘antigamente, as famílias mais abastadas moravam no Centro ou ao redor dele hoje estão noutras áreas da cidade’, reforçou ele.

               Após visitarem a Casa da Pólvora, os estudantes foram caminhando até a igreja de São Francisco, contemplando casarios de estilos diversos, uns Barroco, outros Arte Decó e até mesmo Clássicos. Na frente da igreja de São Francisco, eles ficaram sabendo que João Pessoa é a única cidade do Brasil a ter as quatro ordens religiosas juntas, ou seja, as ordens Franciscana, dos Jesuítas, das Carmelitas Descalças e a dos Beneditinos, simbolizadas pelas quatro pontas de uma enorme Cruz de Pedra que estrategicamente foi colocada no largo da igreja. La, eles também ficaram sabendo que o piso do largo da igreja, formado por enormes blocos de pedra calcária, já não é mais todo original e que esses blocos de pedras, que pesavam em média 400 quilos cada, eram trazidos pelos escravos – não se sabe como – do Rio Paraíba até o local das construções da época.

                O aulão seguiu para a Igreja do Carmo que pouca gente sabe, tem uma igreja totalmente independente do lado, a Igreja Santa Tereza. “Um olhar menos atento, não percebe que são duas igrejas distintas que pertencem a Ordem das Carmelitas descalças”, explicou o historiador do IPHAEP e professor de História do Geo, Edvaldo Lira. Ele lembrou ainda que a exemplo do largo da igreja de São Francisco, neste local, as pedras do entorno das construções também não são mais as originais, embora os monumentos sejam tombados pelo Patrimônio Histórico. “Não tinha como restaurar com o material original então optou-se por algo o mais próximo possível do que era antes”, complementou ele.

                De lá, os estudantes seguiram para a Praça Barão do Rio Branco, onde, explicou o professor de História, Rafael Virgínio, idealizador do ‘Enem na Rua’, que neste local,  os escravos negros eram trazidos para o açoite – prática do castigo físico –  e que também à forca. Lembrou-se da normatização da violência da época tão bem retratadas nas pinturas de Jean-Baptiste Debret. Neste local, ainda abordou-se a influência dos maçons na política desde o Brasil Colônia até os dias atuais, lembrando que a história da maçonaria sempre esteve ligada com os mais variados feitos históricos do país. Da Praça, todos avistaram a Casa Nossa Senhora dos Prazeres, onde na época dos governos militares, no auge da ditadura, os chamados ‘subversivos’ eram levados.

                O aulão seguiu então para a Rua Duque de Caxias, onde houve uma breve parada ao lado de uma igreja que, antigamente, mantinha uma engenhoca denominada ‘Roda dos Enjeitados’, onde eram colocados bebês que as mães não queriam criar passando a missão para as freiras da Santa Casa de Misericórdia. Na Praça dos Cem Réis, os estudantes aprenderam a razão da denominação do local ser assim. “Era por causa do preço das passagens dos bondes elétricos, que faziam ponto no local, que era esse valor, daí o local foi denominado Ponto de Cem Réis”, explicou o historiado Edvaldo Lira.

                O aulão terminou na Praça Presidente João Pessoa, popularmente chamada de  Praça dos Três Poderes, pelo fato de, atualmente, ela estar localizada entre as sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estaduais, respectivamente, o Palácio do Governo, a Assembleia Legislativa e a sede do Tribunal de Justiça. Neste local, os professores se revezavam para revisar assuntos sobre coronelismo, velha república, era Vargas, governos militares, república, constituição até aspectos da política dos dias atuais.

                Houve ainda um momento de curiosidades, como a que destacou que o local, outrora, já foi chamado de ‘Largo do Comendador Felizardo’, e que esse era um espaço de segregação visto que toda a área era cercada por grades e somente aos ricos e personalidades influentes da época era permitida o acesso. Os pobres, não podiam desfilar pelo local, nem tão pouco dançar ao redor do coreto que no final das tardes tinha música ao vivo. Outra curiosidade da época, foi o romance trágico dos estudantes- Sady e Agaba que resultou num dos episódios mais polêmicos da história local, verdadeiro drama social que abalou os pilares do patriarcalismo paraibano. Sady Castor Correia Lima, foi assassinado pelo guarda civil Antônio Carlos de Menezes, em função de normas disciplinares impostas nas escolas paraibanas da época que proibiam estudantes do Lyceu Paraibano se relacionarem com alunas de outra escola somente para mulheres. Sady, apaixonado por Agaba resolveu romper com essa norma e terminou assassinado e Agaba, uma semana depois cometeu o suicídio.

                Impressões

                O aluno Gabriel Souza, 17 anos, do Geo Sul, que pretende cursar Medicina, ficou surpreso com as histórias dos açoites na Praça Barão do Rio Branco. “Fiquei tentando imaginar como isso acontecia e questionando que, embora fosse um costume da época, como alguém tinha prazer em ir ver uma cena bizarra dessa, isso porque o professor disse que as pessoas iam para a praça com esse intuito”, disse Gabriel. Rayssa Karla, que estuda com Gabriel, e que vai tentar o Enem para Ciências Sociais, disse que já sabia da história da Praça do Açoite, mas não sabia da existência de uma casa que abrigava presos políticos. Lisa Almeida, de 17 anos, aluna do Geo Tambaú, que pretende cursar Letras, disse que já conhecia os monumentos visitados, mas não tinha tantas informações detalhadas sobre eles. “Nós temos uma riqueza histórica memorável, pena que pouca gente conheça e que também não valorizemos o Centro Histórico como deveríamos”, disse ela.

                Maria Goretti Silva, mãe da estudante Victoria Madalena, aluna do Geo Tambaú, e que vai tentar uma vaga para Medicina, disse que ficou encantada com tantas informações. “Esse projeto é maravilhoso. Estou encantada. Acho que deveram haver mais aulões assim. Especialmente para os alunos das 3ª séries que chegam neste ano decisivo muito ansiosos. Uma aula assim, acho que rende muitos conhecimentos, além de distrair um pouco da tensão cotidiana de estudos”, disse Goretti, que acompanhou todo o trajeto com a filha. O aluno Pedro Henrique Sotero, do Geo Sul, que vai tentar Engenharia da Computação, disse que a experiência foi muito válida. “Aprendi coisas que, necessariamente, não entrarão na prova do Enem, mas que têm uma relação com tudo o que vimos sobre História e Geografia e até relações humanas. Foi muito bom”, disse ele.

                O diretor do Geo Tambaú, Danilo Abdala, que também acompanhou o grupo, lembrou que o Geo tem uma proposta pedagógica que estimula o aprendizado também  a partir de atividades extraclasse. “Entendemos que a construção do conhecimento se dá de variadas formas, dentro e fora da sala de aula, inclusive, construindo junto com o aluno seu próprio aprendizado e foi isso que fizemos aqui com o ‘Enem na Rua’ e também fazemos a partir de tantos outros projetos extraclasse”, finalizou ele.

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